quarta-feira, 22 de julho de 2009

Gestação de risco

Sempre idealizei a figura da mulher grávida. Uma figura cheia de graciosidade, disposição, simpatia... Esperava que, ao ficar grávida, mantivesse uma rotina levemente diferenciada, com adição de novos agitos, em torno da mudança para uma casa maior, atividades físicas específicas, acompanhamento clínico, e outras coisas do tipo.

Meu corpo reagiu quase imediatamente à gravidez. Na segunda semana de junho, comecei a sentir dores fortíssimas nas costas. Quanto mais eu ficava sentada, mais fortes as dores se tornavam. Ignorando a possibilidade de ter emprenhado tão rapidamente (até porque a progesterona estava tão baixa que descartei essa hipótese), fui a um ortopedista. Este, avaliando, pelos exames, não ser um problema de coluna, receitou alguns remédios (não recomendados para grávidas, como percebi mais tarde) e repouso absoluto. Fiquei de cama, então, do dia 9 de junho até o final do feriadão de Corpus Christi.

A comemoração do aniversário de meu marido foi no sábado à noite. Embora tivéssemos avaliado durante toda a semana que seria complicado manter qualquer evento, devido às minhas dores ("um problema muscular qualquer", acreditávamos), achei muito triste não recebermos nem mesmo os amigos mais chegados. A opção foi chamar uns poucos para um "queijos e vinhos", algo para o qual não precisaria empreender qualquer esforço.

No calor e na animação da roda de amigos, resolvi beber um pouco de vinho. No domingo, acordei melhor. Comentei que, da próxima vez que fosse ao médico, pediria que saltássemos a fase dos remédios e fôssemos diretamente à dos bons vinhos, que me pareciam responsáveis pela sensível melhora na dor nas costas.

Fui trabalhar na segunda-feira. Ao longo do dia, as dores nas costas pioraram sensivelmente. Ao final da tarde, tornou-se insuportável continuar sentada. Na terça de manhã, dia 16, nova visita ao ortopedista, que mandou fazer fisioterapia e continuar com os remédios. Comecei a ficar desconfiada de que algo mais poderia estar errado. Como era muito cedo ainda e eu não iria trabalhar, resolvi aproveitar a dispensa para adiantar alguns exames solicitados pela médica (a especialista em reprodução), tais como o de progesterona e o Beta-HCG. No meio da tarde, busquei o resultado dos exames na internet e tive A surpresa: um Beta-HCG positivo. A progesterona continuava baixa.

Naquele momento, milhões de coisas passaram pela minha cabeça (imagino que também pela do meu companheiro): não deveria ter dançado quadrilha até me acabar na festa junina da Praça Mauro Duarte; não deveria ter tomado aqueles remédios fortíssimos para as dores nas costas; não deveria ter bebido um único gole de vinho no aniversário do meu marido; enfim, uma sucessão de auto-recriminações que não tinham, realmente, nenhum efeito prático.

Falei com minha médica, que mandou que ficasse em repouso absoluto e receitou uma série de remédios para buscar minimizar os problemas que apontavam, evitar um aborto e fortalecer o bebê: Dactil-OB (para prevenir parto prematuro), Utrogestan (para distúrbios relacionados à deficiência de progesterona), Materna e Folantine (complexos vitamínicos para a boa formação fetal). Além disso, recomendou resfriar com gelo, de 2 em 2 horas, a região imediatamente anterior aos pêlos pubianos (na área uterina), o que passei a fazer com uma bolsa congelada.

Foi assim que começou minha gestação. Com risco, desde o princípio. Ainda não posso ser uma grávida serelepe. Minha expectativa é de que isso mude... Mas faço qualquer coisa que estiver ao meu alcance, me centralizo pela decisão médica, fico quietinha como nunca, pro nosso bebê segurar as pontas e não desistir da gente. Somos bonzinhos, bebê. E te queremos muito.

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